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Comunidade quilombola de Santa Quitéria e Itacoãzinho acolhem estudantes do BDR em vivência transformadora no território do Acará (PA)

  • Publicado: Quarta, 20 de Agosto de 2025, 18h11
  • Última atualização em Quarta, 20 de Agosto de 2025, 18h20

No coração do município de Acará, cercadas por igarapés, roças e memórias ancestrais, as comunidades quilombolas de Santa Quitéria e Itacoãzinho abriram suas portas, seus quintais e suas histórias para receber estudantes do curso de Bacharelado em Desenvolvimento Rural (BDR) da Universidade Federal do Pará. Ao longo de três etapas, realizadas entre os anos de 2023 e 2025, as comunidades foram o chão e o centro de uma experiência formativa marcada pela escuta, pela convivência e pela partilha de saberes.

Mais do que uma atividade de campo, as Vivências I, II e III, componentes obrigatórios da formação no BDR, se tornaram, para estudantes e professores, um reencontro com as raízes do desenvolvimento que nasce do território e da dignidade coletiva. E, para as famílias quilombolas, a presença da universidade representou a possibilidade de construir alianças baseadas no respeito, na valorização da cultura local e na troca de experiências entre o saber tradicional e o saber científico.


As comunidades de Santa Quitéria e Itacoãzinho são formadas por famílias remanescentes de quilombos que há gerações vivem do trabalho com a terra, da pesca, do extrativismo e da agricultura de subsistência. Ali, o tempo é guiado pelas chuvas, pelas colheitas e pelas festas religiosas. As casas são espaços de acolhimento e as roças, lugares de sustento e sabedoria. Durante as vivências, estudantes foram recebidos por essas famílias, dormiram em suas casas, partilharam refeições, ajudaram nas plantações, ouviram causos e conheceram de perto a organização social baseada na solidariedade, na fé e no senso de coletividade. Essa convivência permitiu uma imersão profunda na realidade das comunidades quilombolas, onde o modo de vida desafia a lógica da produtividade e revela a potência da resistência cotidiana.


As três etapas da vivência em campo tiveram objetivos complementares e interligados. Na Vivência I, os estudantes foram convidados a observar, com sensibilidade, a dinâmica das famílias e as formas de trabalho agrícola. A Vivência II aprofundou o olhar sobre os sistemas de produção e as dificuldades enfrentadas pelos agricultores quilombolas diante da ausência de políticas públicas adequadas. Já a Vivência III, mais recente, ampliou o foco, permitindo que os estudantes analisassem também aspectos como educação, saúde, religiosidade, cultura e relações sociais. Para isso, os discentes foram organizados em grupos temáticos e orientados a utilizar metodologias participativas e escuta ativa. Ao longo de sete dias, realizaram entrevistas, visitas, registros escritos e fotográficos, sempre com o cuidado de respeitar os tempos e os modos de vida das famílias.

A presença da UFPA nas comunidades não foi apenas um gesto de visitação. Foi uma aposta na construção de vínculos verdadeiros entre universidade e território. A AMARQUISI, associação representativa das comunidades, teve papel essencial na organização das vivências, garantindo a participação das famílias e o diálogo permanente com os docentes da Faculdade de Desenvolvimento Rural (FACDES). Ao todo, mais de vinte famílias participaram das três vivências, acolhendo estudantes com afeto, partilhando sua rotina e oferecendo generosamente seus saberes. Em contrapartida, os discentes elaboraram relatórios, mapas sociais, registros e análises que poderão, futuramente, ser usados pelas próprias comunidades como instrumentos de fortalecimento interno e de luta por direitos. Segundo os professores responsáveis, as vivências têm transformado a forma como os estudantes enxergam o papel da universidade pública: não como transmissora de verdades prontas, mas como instituição que precisa, cada vez mais, aprender com os povos do campo, da floresta e das águas. Essa aproximação permitiu a construção de uma aprendizagem situada, onde os conhecimentos científicos dialogaram com os saberes tradicionais, fortalecendo o compromisso social e ético dos futuros profissionais. Os estudantes utilizaram metodologias participativas, realizaram entrevistas, registros fotográficos e produziram materiais que poderão apoiar as próprias comunidades em suas reivindicações.


Texto: Jhenifer Lima, Geanleson Garcia e Samara Ferreira (BDR 2023)

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